GRUPO DE FAMILIAS EM CAMADAS POBRES

Mltiplas Metamorfoses

 

 Maria Ins Saadi de Tozatto *

 

 

  A psicanlise antes de ser uma profisso, uma aventura, uma viagem, um empenho existencial, alguma coisa que transcende molduras e modelos burocrticos. O psicanalista o contrrio do burocrata ou do especialista.  Ele escuta o desejo, debruado sobre o corao selvagem da vida e, a partir desse polo, se esgalha, ampliadamente em todas as direes.

Hlio Pellegrino in: Viegas dos Santos, 1997

 

 

 

Na travessia da modernidade para a contemporaneidade fomos perdendo a idia de universalizao.  Esta idia transmitia a esperana, a inteno e a determinao de tornar semelhantes as condies de vida de todos, em toda parte.

Hoje estamos num tempo de mundializao, por vezes perversa, que acirra a desigualdade entre pases e entre classes sociais, assim como oprime o indivduo.  Vivemos o confisco de valores tais como os culturais e os da inteligncia.  Na realidade brasileira este confisco vai alm e inclui os valores de sobrevivncia fsica e emocional.

      Sabemos que h sempre um Mal-estar que estrutural.  a falta, dentro de um grau suportvel, o que nos faz produzir.  A tenso entre o sujeito e a cultura nos leva para a ao.  No entanto, ante a perverso da cultura contempornea, muitas vezes a melancolia impera.

 

 

 

 

Psicanalista. Doutora em Psicologia Clnica pela PUC-Rio. Especialista em Psicanlise Vincular (famlia, casal e grupo). Professora do Curso de Especializao em Terapia de Famlia e Casal da PUC-Rio. inestozatto @gmail.com. Rua Jardim Botnico 674, sala 323. 22461-000.  Rio de Janeiro – Brasil. Tel: 55-21-2259-4586

Tomados por esta realidade, um sentimento de impotncia e de irresponsabilidade pode nos levar a um descompromisso, acarretando uma certa anorexia moral (Novaes,1996).  Cada um de ns, torna-se responsvel pela famlia e pela sociedade em que vive j que so grupos interdependentes.  Segundo Freire Costa (1998) se faz necessrio abandonar a estratgia de avestruz  para tentar reparar, enquanto tempo, nossos aleijes sociais.  Esticando nosso pescoo de avestruz, torna-se fundamental pensar o local e o individual como complexo, como componente de uma trama global.

A cidade do Rio de Janeiro se inscreve no contexto mundial como uma metrpole de grandes contrastes.  A sua populao fica dividida ou at estratificada em camadas sociais com acentuadas diferenas em termos de concentrao de renda, oportunidades de vida digna, educao, sade e emprego. Expande-se em nossa cultura uma ordem visceralmente violenta.  Assim, cada indivduo  permanece numa tendncia ao isolamento , temeroso dos outros.  O vnculo entre as pessoas, entre as famlias e entre os diferentes grupos, vem ficando marcado pelo que, parafraseando Zuenir Ventura, chamaria de sndrome da cidade partida.

Dentro deste panorama passo a relatar minha experincia como idealizadora e atualmente supervisora de um Grupo de Famlias em Acari, subrbio do Rio de Janeiro.

Desenvolvo este trabalho desde 1996 a convite da Pontifcia  Universidade Catlica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

A Universidade responde assim demanda do terceiro milnio somando ao ensino acadmico a conscincia das questes subjetivas, sociais, culturais e ecolgicas. Urge promover valores ticos reforando o compromisso de cada um com a comunidade e transformando o ato de aprender numa atividade permanente.

A comunidade de Acari  tem seus estigmas, suas histrias. At hoje marcada pelo pedido de justia que as chamadas mes de Acari fazem.  Seus filhos adolescentes foram assassinados em 1991 e o desaparecimento de seus corpos ate hoje um mistrio.  Configura-se assim como um grupo social sem escuta, margem do reconhecimento.  O contexto de convivncia com a misria, violncia e impunidade faz com que seus moradores acreditem que nada valem.  O peso da discriminao chega a tal ponto  que negam o local de moradia para poder conseguir um emprego ou aceitao social.

O processo de construo do Grupo de Famlias na prpria comunidade implicou em mltiplas metamorfoses.  Como psicanalista, atendendo h vinte e cinco anos em consultrio particular da zona sul do Rio de Janeiro, fui acordando para o desejo de alargar a minha escuta para alm destes limites, assumindo uma maior responsabilidade social na minha funo.

Participamos de uma metamorfose do espao habitado pela psicanlise, que tendo sua origem histrica no atendimento individual de adultos, foi renovando seu objeto de estudo, abrindo sua ao e fundamentao terica.  Durante muito tempo no se pensou na psicanlise indo alm da poltrona e do div e podemos dizer que ficou impensado na prtica o que estava reprimido na teoria. (Tozatto, 1991)

Um referencial terico renovado deu asas ao meu desejo: a Psicanlise das Configuraes Vinculares.  Esta abordagem rene  todos os mbitos   teraputicos multipessoais, ampliando o corpo terico para alm do individual e da clnica.  Abre-se tambm para os grupos de reflexo, estratgias no campo preventivo e estudos que articulam a subjetividade com o contexto sociocultural.

Pensamos o grupo de reflexo com orientao psicanaltica  como uma superfcie projetiva para o inconsciente individual, para a cultura e para a sociedade.  Funciona  ento como uma membrana sensvel realidade material e realidade psquica.

A famlia um grupo mediador ou intermedirio que atua como porta-voz da sua prpria histria e dos elementos culturais.  Escutamos o discurso familiar como um setor do discurso da cultura. 

H um discurso familiar constitutivo do sujeito que se transmite pela cadeia das geraes.  Deste discurso participam outros grupos e instituies, contribuindo do contexto transubjetivo (sociocultural) para a formao da intrasubjetividade (relao do eu com o mundo interno) e da intersubjetividade (vnculo entre um e outro eu).

Criar um lugar de escuta para resgatar o valor do legado e da narrativa familiar, atenderia demanda constatada nos contatos iniciais com a comunidade de Acari.

Comear o trabalho no seria fcil.  De inicio era necessrio acabar com o equvoco corrente de que tanto a Universidade como a Psicanlise seriam donas de um saber pronto, saber a ser inculcado nas famlias da comunidade considerada carente, saber de elite, superior ao saber popular.  Era importante no repetir uma atitude colonizadora tantas vezes presente na histria dos encontros, na verdade pseudo-encontros, marcados por um ato de extrema violncia.  neste momento que se presentifica a convico de que o vnculo entre diferentes cria a possibilidade de crescimento e de transformao.  Mais uma vez metamorfose...  a escassez que pe a histria em movimento e aponta seu verdadeiro sentido.  A sabedoria do momento presente estaria ento com os menos favorecidos.

Unicom o nome do projeto: Universidade-Comunidade.  Faz-se necessrio considerar essa dualidade como dimenses de uma nica realidade complexa numa bidirecionalidade vincular.

Vnculo aqui nomeia a relao entre um eu e outro eu, que tem como condio a presena de um referencial externo.  Ambos os eus so lugar do prprio desejo e da realizao do desejo do outro envolvendo sempre uma dimenso inconsciente.

                 O vnculo se estabelece em mo dupla  baseando-se na troca e no compartilhar.  Colocar em comuns saberes prprios para facilitar um sair das certezas e construir um saber vincular.  Grande o desafio...  Arriscar e inovar permitindo-se elaborar a angstia mtua frente ao desconhecido.

    Um fraco mais um fraco no so dois fracos, mais um forte.  Porque a unio faz a fora. (Boff, 1998).  O grupo e sua fora!...  Grupo de Reflexo com orientao psicanaltica que tem como instrumento a interpretao.  Esta, facilitar o afloramento de capacidades mentais e psquicas preexistentes e  a expresso do desejo inconsciente.  A interpretao visa o denominador comum dos fantasmas inconscientes dos membros ou a defesa coletiva que se instala contra a tenso comum.  Sendo escutado, o grupo exerce uma definida ao teraputica que se traduz numa nova reorganizao pulsional, em novas posturas, em metamorfose.   

Num primeiro contato diagnstico, percebemos que a comunidade se divide em classes.  Os mais ricos marginalizam os mais pobres que ficam enquistados, como num gueto beira do rio, no se tornando visveis a um primeiro olhar.  Na rua, mulheres asseadas fazendo croch sentadas porta de suas casas.  Por trs, andando por ruelas que formam verdadeiros labirintos, os mais desvalidos, lama, porcos, sujeira.

Vencido o medo de confiar nos nomeados de fora, que muitas vezes vem e vo embora de repente, respondem ao convite para participar de um Grupo de Famlias.  A proposta feita a partir da demanda constatada.  Avs, pais e filhos apresentam-se como representantes de suas famlias, permitindo a riqueza de uma escuta trigeracional. No dia a dia,  a presena das mulheres se repete e s esporadicamente, um ou outro homem comparece.

Em geral, a figura do pai distante e ao contrrio da me pouco intima sendo em alguns casos transitria e substituvel.  A me tem maior influncia na transmisso dos valores familiares e no estabelecimento e reforo da rede de relaes.  Sabemos que na construo dos vnculos familiares importante o exerccio das  funes  materna (de acolhimento) e paterna (de autoridade).  Estas funes podem ser desempenhadas por qualquer membro da famlia ou pessoa com quem se tem um forte vnculo afetivo.

No Grupo de Famlias, freqentemente, as avs aparecem como depositrias de uma sntese das funes materna e paterna: afeto-autoridade, acolhimento-limite.  So verdadeiras organizadoras da vida cotidiana e psquica da famlia.  Ocupam esse lugar a partir da ausncia paterna e da imaturidade da me, muitas vezes apenas uma adolescente ainda precisando ser atendida como filha.

Grupo na funo de escuta.  Estar disponvel para o espanto, a criao, para o no dito at ento, tendo sempre presente que o inconsciente social.  Nas camadas pobres da populao, escutar as famlias passa pela violncia, pela misria e a concretude destas palavras.  Remete para alm do discurso, fala de violncia fsica, fala de morte (como o medo do carnaval em que alguns mascarados matam impunemente e no so denunciados mesmo se suspeitando quem so).  Vive-se a lei do silncio como preservao da prpria vida.

O Grupo de Famlias se rene semanalmente. No exige um compromisso irrestrito de presena.  Seus integrantes participam quando desejam ou conseguem.  O compromisso fundamental firmado por ambas as partes j que a equipe tcnica (supervisor, coordenador e observador) e o prprio grupo se responsabilizam pela realizao do trabalho e pela manuteno do espao enquanto desejando.  As funes de coordenador e observador vem sendo desempenhadas por estudantes de psicologia.  Estes, so selecionados a partir do desejo de engajamento, como voluntrios, em trabalho comunitrio como parte da sua formao e, por vezes, em substituio a uma aula terica sobre tica.

O Grupo se mantm  constantemente aberto a novos integrantes e se organiza em torno de dois plos: o relato do cotidiano familiar e comunitrio e o imaginrio ou fantasmtico que se faz presente em cada famlia e na construo de seu legado.  Singular-plural, sujeito-grupo, trs geraes num grupo de reflexo sobre os vnculos familiares e comunitrios.  Alquimia desafiante que nos coloca ante novos posicionamentos...  metamorfose!

bonito e d prazer chegar para esta experincia e ver a alegria com que nos recebem.  Falo em experincia no sentido benjaminiano.  Para Benjamin (1987), a experincia se d na valorizao da intersubjetividade e do vnculo com compromisso.  Difere assim da vivncia que no d conta da construo do sujeito e da histria porque fugaz, descartvel.  A afetividade e a solidariedade fazem parte dos encontros.  Ns somos sujeitos do encontro, pessoas sempre querendo afetar e serem afetadas.

Vrios autores tm sinalizado as transformaes sofridas nas sociedades atuais pela famlia, mas a famlia continua ocupando o imaginrio de envelope protetor que acolhe no desamparo.  A sua capacidade de cuidado e proteo depende no s da elaborao dos conflitos, como tambm da qualidade de vida que ela tem no contexto social ou transubjetivo.  Em cada famlia encontramos uma forma particular de ressonncia aos desafios deste final de sculo.

Uma das maiores mudanas nos valores familiares a perda da viso coletiva e o fortalecimento do individualismo com nfase nos sentimentos.  A famlia composta pelas pessoas com que cada um conta. (ONU, 1994, Ano internacional da Famlia).  Privilegia ento os vnculos afetivos.  Para Jablonsky (1998), temos hoje famlias transformadas em verdadeiras ilhas, sistemas se fechando ante a sociedade como um  todo e debatendo-se com dicotomias constantes, tais como: a monogamia e o apelo permissivo, a tradio e a seduo do novo, a vida em famlia e o incentivo realizao pessoal. 

               Neste momento histrico, a presena macia do desemprego aumenta a fragilidade do pai como representante da lei assim como cria um sentimento de impotncia em muitas famlias.  J em outras, o momento atual vem despertando posturas criativas que permitem um fortalecimento dos vnculos na crise.  Em Acari, segmentos sociais desfavorecido, tm um dficit de filiao social desqualificando seus cidados.  Deste modo, o sofrimento de origem social soma-se como marca permanente s famlias.

      No Grupo de Reflexo com orientao psicanaltica, cada representante de sua famlia porta-voz dos valores de revolta desenvolvidos contra as difceis condies de vida.  Os valores de revolta fazem com que muitos sejam capturados pela rede do trfico de drogas, principalmente os adolescentes.

Freud (1927), atual quando afirma:

 

Se voltarmos para as restries que s se aplicam a certas classes da sociedade, encontraremos um estado de coisas que flagrante e que sempre foi reconhecido. de se esperar que essas classes subprivilegiadas invejem os privilgios das favorecidas e faam tudo o que podem para se liberarem de seu prprio excesso de privao.  Onde isso no for possvel, uma permanente parcela de descontentamento persistir dentro da cultura interessada, o que pode conduzir a perigosas revoltas.

   

   Ao mesmo tempo, cada integrante do grupo retorna para o cotidiano familiar revitalizado pelos valores de dilogo e de ao.  Essas famlias passam ento a ter mais subsdios para desempenhar sua funo.  Enfrentam deste modo, a lgica perversa do contexto social.

   O engajamento grupal vai acontecendo no ritmo de cada um.  Assim, criativamente usam a imagem da seleo brasileira de futebol na Copa do Mundo  e falam da responsabilidade grupal de cada participante:

 

-  Aqui tem os antigos ou titulares do time, os que no faltam e sempre entram no jogo pra valer.

-  Os novos que se comprometem e fazem fora  para vir sempre, podem chegar  a titulares.

-  Alguns ainda somos reservas, ficamos quase sem falar e faltamos muito, mesmo gostando do grupo.

 

Segundo a classificao proposta por Barbosa e Santos (1991), temos: participantes permanentes, que com sua presena acompanham toda a histria do grupo; participantes espasmdicos, que permanecem um tempo, desaparecem e depois retornam para outra temporada; participantes intermitentes, que retornam de tempos em tempos para confirmar a existncia do grupo; freqentadores nas crises, que trazem uma situao especfica para resolver e conseguindo deixam de freqentar; visitadores, que chegam para conhecer o grupo mas no conseguem ficar.

Os temas trazidos so mltiplos: maternidade, sexualidade, casamento, educao dos filhos, violncia domstica, comunitria e policial, alcoolismo e trfico de drogas, desemprego, impunidade, preconceito, analfabetismo, a fora da f, a repetio e a criao nos vnculos familiares.

Trabalha-se grupalmente para construir o direito e a capacidade de serem sujeitos de sua prpria histria, e de ter acesso a um mundo de saber, reconhecimento e cultura.  Como uma das boas lembranas a integrar o patrimnio do Grupo de Famlias, registro a ida ao teatro para ver a Laura danar.  Atravs do vnculo estabelecido com Laura, a estagiria de psicologia que fazia a observao do grupo, se constri o vnculo com esse mundo distante, quase impossvel.  No dia, todos em festa, chegam com  a melhor roupa e trocam os chinelos do cotidiano pelos sapatos.  Mais uma vez, metamorfose! 

O Grupo de Famlias vai se firmando num cenrio vincular onde a cada encontro se desconstri e se reconstri todo um sistema de crenas e mitos familiares e sociais.  O saber vincular vai se dando tanto para o grupo como para a equipe, todos participantes de um jogo criativo constante.  

Aproveitar o imprevisto que surge a cada reunio do grupo e no exclu-lo tem produzido momentos de extrema riqueza.  Entre muitos, lembro o dia em que falando da morte e de mortes, o grupo se depara com a presena do beb recm nascido, filho e neto de participantes do grupo. Uma gerao e outras  geraes, vida e morte, infncia e velhice, paz e violncia, so os temas abordados ento como faces de uma mesma moeda.

Resgatar o valor dos vnculos e do afeto tem sido a base da transformao para o Grupo de Famlias.  Do autoritarismo para  o dilogo, da centralizao para o compartilhar, do desejo nico para os mltiplos desejos, do silncio defensivo para o relato confiante, de Narciso para dipo.

O Grupo de Famlias propiciando a troca intergeracional e capacitando seus integrantes para serem protagonistas de suas vidas atravs da cooperao, da auto-estima e do engajamento como agentes de metamorfose  subjetiva, familiar e social.

Concretamente, as metamorfoses manifestam-se no grupo: uma das participantes espera um novo filho, dois outros se inscrevem em curso de alfabetizao tendo aulas com uma professora de setenta anos, um outro retoma os estudos aps trinta anos e obtm o diploma de primeiro grau, muitos dizem ter aprendido  a escutar.

Assim expressou seu sentir um dos integrantes do Grupo:

 

 No comeo no entendia. Era tudo sem p nem cabea. No sabia que a gente conversava da vida, dos problemas, do passado. Agora eu entendo como bom e aprendo porque me escutam e porque falo.

 

                       No presente do grupo, torna-se importante valorizar a ao endgena da comunidade.  No ficar sempre na dependncia de ajuda externa, ser autor de sua existncia, deixando de ser repetidamente colonizado.

  preciso viver este  milnio encontrando formas de metamorfosear os caminhos do pensamento, dos atos e das distribuies.  Mas a prpria inquietao intil quando no h esperana.

       preciso acreditar no mundo.  Acreditar significa suscitar acontecimentos que mesmo pequenos ou locais iro desencadeando outros acontecimentos numa reao em cadeia para um viver melhor.    

      Assim como Rorty (1998), partilho da convico de que no existem obstculos fraternidade humana, exceto nossa prpria falta de disposio em fazer o que preciso para conquist-la.

      O sonho de um mundo melhor precisa permanecer como antdoto s nossas limitaes como sujeito, como famlia e como sociedade.

 

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